Depois do carnaval

07/02/2018 - 09:45

Durante os dias do Carnaval, fica a impressão de que o povo inteiro caiu na “folia” e não pensa em outra coisa... É verdade que muitos gostam dos festejos e folguedos desses dias de descontração e diversão. Não faltam exageros, comportamentos destemperados e coisas inconvenientes e até imorais. Drogas e excessos de álcool fazem muito estrago, assim como fatos de violência e imprudências no trânsito. O Carnaval não deve ser um tempo de suspensão da lei, da moral e do bom senso. 

Mas nem tudo no Carnaval deve ser imediatamente visto como mau e suspeito, pois também há diversão sadia, aspectos interessantes de cultura popular e interação social. Em muitos lugares, é ocasião de apresentar, de maneira irônica e divertida, num colossal teatro popular de inumeráveis palcos, uma crítica social e política e os dramas, tragédias e comédias do cotidiano... 

Mas não é só de diversão que se faz o Carnaval. Muitos preferem ficar distantes da agitação e do barulho e procuram o repouso ou o lazer no contato com a natureza e nos encontros sociais e familiares. Em nossas comunidades e organizações pastorais vão acontecendo, nesses dias, numerosas iniciativas de evangelização e formação cristã. Muitos procuram os retiros e encontros de oração e reflexão, preparando-se para iniciar o tempo da Quaresma e a programação do ano pastoral.

Enquanto o Carnaval vai passando, também nossa Arquidiocese se prepara para iniciar o ano pastoral, que será muito intenso. Com a Quarta-Feira de Cinzas, começa a Quaresma, em preparação à Páscoa. Com os exercícios quaresmais próprios desse tempo litúrgico - o jejum, a esmola e a oração -, a Igreja no Brasil promove a Campanha da Fraternidade, como parte do anúncio do Reino de Deus e do apelo à conversão. Neste ano, o tema é “fraternidade e superação da violência”, com o lema – “vós sois todos irmãos” (Mt 23,8). O tema da Campanha é mais que oportuno, vistos os níveis preocupantes da violência no Brasil e no mundo. 

O encontro geral do clero da arquidiocese, no dia 15 de fevereiro, marcará o início do ano pastoral em todas as paróquias, comunidades e organizações pastorais. A Igreja vive e atua na cadência do ano litúrgico e do planejamento pastoral, que é uma proposta metódica de enfrentamento dos desafios pastorais e das urgências postas à missão da Igreja. Além da programação pastoral global da Arquidiocese, cada paróquia e organização eclesial e pastoral também possui um planejamento próprio, de acordo com sua natureza e objetivos específicos. É importante trabalhar de maneira planificada, pois isso permite trabalhar com maior organização e eficácia na obra da Igreja. 

No dia 24 de fevereiro será feita a abertura oficial dos trabalhos do 1º sínodo arquidiocesano de São Paulo, “caminho de comunhão, conversão e renovação missionária” de nossa Arquidiocese. Após um ano de planejamento, motivação e oração, iniciaremos os trabalhos da primeira etapa do sínodo nas paróquias, comunidades e organizações pastorais de base da nossa Igreja em São Paulo. Para o ato de abertura, no Colégio São Luis (Av. Paulista), estão convidados todos os padres, especialmente os párocos, administradores e vigários paroquiais, juntamente com os membros da Comissão Paroquial do sínodo e representantes dos grupos paroquiais do sínodo. 

Neste ano, o sínodo envolverá a vida das paróquias, para uma grande tomada de consciência e avaliação da vida e missão da Igreja em cada uma delas. As paróquias, de fato, constituem a base da vida eclesial e dão expressão concreta à vida e à missão da Igreja. Elas são células vivas do grande corpo eclesial e, em cada uma delas, está presente o que é próprio da vida eclesial. 

Durante o ano, com a participação de muitos grupos sinodais, e tendo como guia o roteiro de reflexões preparadas e propostas pela Coordenação Geral do sínodo, cada paróquia poderá tomar consciência da sua situação e elaborar indicações para a reflexão sinodal da Arquidiocese inteira. Ao longo do ano, também será promovido um levantamento da realidade religiosa e pastoral de cada paróquia e da Arquidiocese inteira. Esse levantamento poderá oferecer dados importantes sobre a situação e a atuação de nossa Igreja em São Paulo. 

“Deus habita esta Cidade e nós somos suas testemunhas!” Confiamos na ajuda do Espírito Santo para realizarmos bem a missão que nos está reservada.
 

Cardeal Odilo Pedro Sherer
Arcebispo Metropolitano de São Paulo
Publicado em O SÃO PAULO, na edição de 07/02/2018