O sínodo tem início nas paróquias

28/02/2018 - 10:15

A abertura dos trabalhos do sínodo, no dia 24 de fevereiro passado, ofereceu um sinal esperançoso para o caminho sinodal empreendido pela arquidiocese de São Paulo. A presença boa dos padres responsáveis pelas 306 paróquias e de um grupo numeroso de leigos e leigas, representando as Comissões Paroquiais do sínodo, mostrou a clara adesão ao sínodo – “caminho de comunhão, conversão e renovação missionária” de nossa Igreja em São Paulo. 

Durante todo o ano de 2018, o sínodo será dedicado à base da vida e organização da Igreja na paróquia. Cada pároco ou administrador paroquial convocará, agora, o povo de sua paróquia, com suas variadas formas e expressões de vida comunitária, para fazer cada mês as reflexões propostas pela Comissão Arquidiocesana do sínodo, a partir de março. No início de março, será feita em cada paróquia a celebração do envio de todos os coordenadores de grupos, com a missão de promover as reuniões e reflexões. 

Cada reunião de grupo deverá produzir uma contribuição para o sínodo, de acordo com o tema abordado. Assim, ao longo do ano, cada pároco e os membros da Comissão paroquial do sínodo terão recolhido muitas contribuições dos grupos sinodais para preparar a assembleia do sínodo na paróquia, que se realizará entre outubro e novembro de 2018. Os temas propostos para as reuniões referem-se a questões fundamentais da natureza e da missão da Igreja e da paróquia: motivos da existência da paróquia; dimensões essenciais da missão de cada paróquia, como o anúncio da Palavra de Deus, a promoção da vida santa, segundo o Evangelho, e o testemunho da fé, esperança e caridade. Faz-se também a reflexão sobre o grande propósito do sínodo arquidiocesano, expresso no tema e no lema do sínodo. 

Cada reunião de grupo ajudará a promover um grande “VER” e uma nova tomada de consciência de nossa realidade evangelizadora e pastoral. Isso é necessário, se queremos chegar, no final do sínodo, a indicações consistentes para a “conversão e renovação missionária” de cada paróquia e da Arquidiocese inteira. Além das contribuições dos grupos, serão promovidos dois levantamentos nas paróquias: uma pesquisa de campo para se ter dados mais concretos sobre a realidade social, religiosa e pastoral de cada paróquia; e também deverá ser feita uma verificação objetiva sobre vários dados objetivos da vida pastoral e da ação evangelizadora em cada paróquia. Com os dois relatórios a serem produzidos, cada paróquia e a Arquidiocese inteira poderão conhecer melhor a própria realidade social, pastoral e religiosa. 

Talvez alguém possa levantar questionamentos sobre a ênfase colocada nas paróquias, uma vez que se ouve com certa frequência que elas estão superadas e já não respondem mais de maneira adequada às necessidades e desafios da evangelização e da missão da Igreja. Na verdade, o que se pretende é recuperar a importância das paróquias na ação evangelizadora e na pastoral da Igreja, sem deixar que elas fiquem reduzidas a balcões burocráticos de prestação de serviços religiosos ou sociais. É verdade que as paróquias podem assumir rostos diversos que no passado, sobretudo no mundo urbano e metropolitano. Também é verdade que a vida e a ação da Igreja não se esgotam na paróquia, pois a Igreja de Cristo é bem maior que a paróquia. Mas também continua verdadeiro que a paróquia segue sendo parte da estrutura institucional da Igreja; aliás, ela está na base institucional da própria organização eclesial. 

A paróquia, “comunidade de comunidades”, torna bem concreto e perceptível aquilo que a Igreja é no seu todo: comunidade dos discípulos-missionários reunidos em torno do Senhor Ressuscitado, que o seguem e vão moldando seu estilo de vida de acordo com o Evangelho do Reino de Deus. A paróquia é uma imagem “sacramental” do mistério da Igreja: é comunidade eucarística, reunida em nome da Trindade Santa em torno do altar, ouvindo e acolhendo a Palavra de Deus com fé, animada pelo Espírito Santo, adorando e louvando o Pai por meio de Jesus Cristo, sendo alimentada e fortalecida pelo pão da Palavra e da Eucaristia, orientada e animada a testemunhar sua fé, esperança e caridade. Na paróquia, Jesus Cristo, representado sacramentalmente pela pessoa do ministro ordenado em comunhão com seu bispo e o papa, continua a ser o pastor e santificador do seu povo, recolhendo-o e conduzindo-o aos prados da vida eterna... É grande e bela a realidade da paróquia! 

Vamos repensar nossas paróquias?! O caminho sinodal terá alcançado um bom fruto se as paróquias conseguirem recuperar e aprofundar algo de sua consciência eclesial, tornando-se comunidades vivas de fé, esperança e caridade, “igrejas em saída missionária”, testemunhas vibrantes de Deus no bairro onde estão e em toda a Cidade! 

 

Cardeal Odilo Pedro Sherer
Arcebispo Metropolitano de São Paulo
Publicado em O SÃO PAULO, na edição de 28/02/2018