Santa Sé revisa constituição sobre educação católica

No Vaticano, Congregação para a Educação Católica trabalha na atualização da Constituição Apostólica Sapientia Christiana
Publicado em: 13/02/2017 - 10:00
Créditos: Fernando Geronazzo/ Jornal O SÃO PAULO

O arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, participou entre os dias 7 e 9, em Roma, da assembleia da Congregação para a Educação Católica, da qual é membro desde 2013.
O assunto principal desta assembleia é a revisão e atualização da Constituição Apostólica Sapientia Christiana, que apresenta as Diretrizes da Igreja Católica para as universidades e instituições eclesiásticas de ensino de nível superior. “Por outro lado, estará em discussão e elaboração também um Diretório para a Educação Católica”, informou o Cardeal Scherer ao O SÃO PAULO.
Este organismo da Cúria Romana tem a missão de acompanhar e aprovar todas as instituições de ensino católicas do mundo, sejam elas escolas, colégios, universidades, faculdades ou instituição de ensino superior que ofereçam não somente estudos eclesiásticos, mas também civis. É também de responsabilidade desta Congregação a supervisão dos cursos de Teologia e Filosofia voltados especialmente para a formação de sacerdotes.
A assembleia acontece a cada dois anos em média, e será a primeira sob o comando do novo prefeito, Cardeal Giuseppe Versaldi, no cargo desde março de 2015. A Congregação para a Educação Católica é constituída de 34 membros, dos quais 30 cardeais e quatro arcebispos, além de 27 consultores.

Constituição apostólica

Publicada por São João Paulo II, em 15 de abril de 1979, a Constituição Apostólica Sapientia Christiana define por universidades e faculdades eclesiásticas aquelas que “canonicamente erigidas ou aprovadas pela Sé Apostólica, cultivam e ensinam a doutrina sagrada e as ciências que com ela estão correlacionadas, com o direito de conferir graus acadêmicos por autoridade da Santa Sé”.
A proposta de atualização e revisão do texto tem o objetivo de responder adequadamente às novas exigências do tempo presente e garantir que seja respeitada “certa unidade substancial” nas instituições de ensino católicas, uma vez que essas conferem títulos acadêmicos em nome da Igreja.
A Sapientia Christiana determina que as finalidades das faculdades eclesiásticas são: “Cultivar e promover, mediante a investigação científica, as próprias disciplinas, e em primeiro lugar aprofundar o conhecimento da revelação cristã e das matérias que com esta têm conexão, explanar sistematicamente as verdades que nela se contêm, considerar os novos problemas do nosso tempo à luz da mesma, e apresentá-la ao homem contemporâneo de forma adequada às diversas culturas”;
“Formar os alunos, a nível superior de alta qualificação, nas próprias disciplinas segundo a doutrina católica, e prepará-los convenientemente para afrontarem os seus encargos; e ainda, promover a formação continuada, ou permanente, dos ministros da Igreja”;
E, por fim, “colaborar dedicadamente com a Igreja, quer a nível das Igrejas particulares, quer a nível da Igreja universal, em toda a obra da evangelização, segundo a própria natureza e em estreita comunhão com a hierarquia”.


Ensino superior

Segundo a Congregação para a Educação Católica, existem no mundo mais de 1.300 instituições de ensino superior, entre universidades, faculdades e institutos eclesiásticos.
Além dessas instituições, há seminários e centros de estudo agregados a pontifícias universidades. Só nos últimos três anos, foram instituídas 13 faculdades e institutos eclesiásticos, entre os quais, a Faculdade de Direito Canônico São Paulo Apóstolo, da Arquidiocese, fundada em 2014.

Escolas católicas

Os participantes da assembleia também tiveram acesso a um relatório do departamento responsável pelo acompanhamento das escolas católicas. Tais números mostram que, em geral, houve um crescimento do número de estudantes dessas escolas no mundo. Mas, em alguns continentes, diminuiu o número de instituições.  
O Anuário Estatístico da Igreja contabilizava 209.670 escolas católicas no mundo em 2011, enquanto em 2014 já eram 216.670, o que significa um crescimento de mais de 6 mil instituições.
Quando os números são vistos por continentes, percebe-se que na África houve o maior crescimento, de 62.082 para 69.926, seguida da Ásia, de 39.896 para 40.764, e Oceania, de 5.430 para 5.911. Já a América e Europa tiveram um decréscimo. O continente americano perdeu 2.547 escolas católicas, tendo agora 49.839 instituições, enquanto a Europa perdeu 114 instituições, ficando com 49.762.
Em relação ao número de estudantes, houve um crescimento de mais de 2,7 milhões de alunos em todo o mundo, o que significa um total de 60,3 milhões. O maior crescimento também foi na África, de 22 milhões para 24 milhões de estudantes.  Já a Europa foi o único continente que teve uma diminuição de alunos em escolas católicas, 113.106 a menos.
 

Educar é o exercício da ‘caridade intelectual’

O primeiro dia da assembleia contou com a presença do Papa Francisco. Em seu discurso, o Pontífice afirmou que a educação e a formação constituem hoje um dos desafios mais urgentes que a Igreja e as suas instituições são chamadas a enfrentar.
O Santo Padre salientou ainda que o trabalho da Congregação para a Educação Católica na assembleia contribui para responder à atual “emergência educativa”. “A obra educativa parece que se tornou ainda mais árdua porque, em uma cultura que, infelizmente, muitas vezes faz do relativismo o próprio credo, vem a faltar a luz da verdade. De fato, considera-se perigoso falar de verdade, incutindo assim a dúvida sobre valores básicos da existência pessoal e comunitária”, disse.  
“Por isso, é importante o serviço que desenvolvem no mundo as numerosas instituições formativas que se inspiram na visão cristã do homem e da realidade: educar é um ato de amor, exercício da ‘caridade intelectual’, que requer responsabilidade, dedicação, coerência de vida”, concluiu o Papa.